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PORTAL TERRAS POTIGUARES NEWS

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domingo, 18 de agosto de 2013

AVENIDA POETA LUÍS CAMPOS

O poeta Crispiniano Neto sugeriu em seu programa  "A VOZ DA SERRA", apresentado na Rádio de Difusora de Mossoró, aos domingos, pela manhã que a Avenida  Rio Branco passasse a chamar-se POETA LUÍS CAMPOS. Essa belíssima ideia deve aprovada pela CÂMARA MUNICIPAL DE MOSSORÓ, porém, tem que passar pelo crivo dos  moradores, empresários e comerciantes desse logradouro público. Em 1996 houve um movimento para essa avenida fosse chamada DIX-HUIT ROSADO, cujo movimento não teve apoio das pessoas ali residente. Caso contrário, poderia criada uma CASA DE CULTURA EM MOSSORÓ que tivesse como patrono o Poeta LUÍS CAMPOS, cuja casa deveria ter sido erguida na época em que CRISPIANIANO  foi presidente da Fundação JOSÉ AUGUSTO

ARTISTAS MOSSORÓ DESTACAM IMPORTÂNCIA CULTURAL DO POETA LUIZ CAMPOS

“Mossoró, muito obrigado por tamanha ingratidão. Eu hoje, velho e cansado, escorado no bastão, não vejo mais como eu via, não faço mais cantoria, não posso nem com a viola. Desculpe seu filho nato que está no anonimato já quase pedindo esmola”. Os versos retirados do cordel “O Meu Caso é um Descaso” refletem o sentimento do poeta e repentista Luiz Campos em relação a sua terra natal, cidade em que nasceu, viveu e morreu na última terça-feira, 13 de agosto de 2013.
Aos 73 anos, 50 deles dedicados à literatura popular, Luiz Campos nunca recebeu o devido reconhecimento por parte da cidade que ajudou a divulgar pelos quatro cantos do país. Viveu e morreu na mesma casa, na avenida Rio Branco, n° 2886, bairro Lagoa do Mato. Por muito tempo, inclusive, precisou da ajuda dos colegas, discípulos poetas, para se manter financeiramente, situação que só melhorou após receber o título de Patrimônio Vivo da Cultura Popular Potiguar, através da Lei nº 9.032, de 27.11.2007, de autoria do deputado estadual Fernando Mineiro que garntiu o pagamento de uma pensão vitalícia, no valor aproximado de R$ 800.
Considerado um verdadeiro mestre na arte da poesia popular, Luiz Campos só encontra o devido reconhecimento naqueles que, de alguma forma, conseguiram absorver os seus ensinamentos. E são essas pessoas que prestam uma sincera homenagem ao ilustre mossoroense, em depoimentos que você acompanha a seguir:
“Os poetas da minha geração aprenderam muito com Luiz Campos. Artistas como Antônio Lisboa, Chico de Assis, Antônio Francisco, entre muitos outros, devem muito a ele. Se você for à cidade de São José do Egito, no Pernambuco, celeiro de grandes poetas, vai encontrar muita gente recitando os versos de Luiz. Nunca houve uma homenagem à altura da obra de Luiz, poeta de valor inestimável. Mossoró deve esse reconhecimento e continuará devendo”, diz Crispiniano Neto, amigo de Luiz Campos há 37 anos, autor dos livros “Viajando pelos Campos de Luiz” e “Poesia com Luiz Campos”.
Diretor da Fundação José Augusto na época em que foi aprovada a Lei nº 9.032, Crispiniano Neto, que acompanhou de perto os últimos dias de vida de Luiz Campos no Hospital Regional Tarcísio Maia, revela que uma das mais justas homenagens que o poder público local poderia fazer ao poeta era renomear a avenida Rio Branco, batizando-a com o nome de Luiz.
Para Nildo da Pedra Branca, cujo nome artístico foi uma sugestão do próprio Luiz Campos, a cultura mossoroense está de luto. “Quem não escutou os versos de Luiz? Suas belas piadas, suas cantorias? Luiz é insubstituível. Hoje nós quase não estamos vendo duplas de violeiros, aquela mensagem cabocla que só ele sabia fazer, escrever errado para acertar na poesia. Acredito que nem uma comenda pelo poder público ele recebeu. Os primeiros violeiros que surgiram em Mossoró, todos eles dormiram na casa de Luiz, comeram no mesmo prato que ele. Jamais vou esquecer a mensagem que ele deixou, há nove anos, quando escrevi meu primeiro cordel e fui mostrar a ele, que disse ‘Você não pode parar’. Ele no leito do hospital, na última segunda-feira, pediu para eu nunca desistir de declamar os versos”, relata.
O artista plástico Rogério Dias, que durante um período foi designado pela Fundação José Augusto para dar assistência a Luiz Campos, lamenta a falta de reconhecimento ao poeta: “Ele era muito espirituoso, transformava tristeza em alegria. Uma pessoa muito inteligente, grande repentista, que vai fazer muita falta. Faltou reconhecimento. Muitas vezes cheguei à casa dele e ele dizia que não tinha nada para comer”, resume.
Presidente do grupo Poetas e Prosadores de Mossoró (Poema), Genildo Costa destaca que Luiz Campos cumpriu o seu papel enquanto artista popular: “Ele deixa um legado cultural para o Brasil. Tive o privilégio de gravar um dos seus poemas, ‘Me enganei com a minha noiva’, logo no meu primeiro disco. Em seguida a canção foi gravada por Amazan. Luiz tem o dom, digo tem porque um poeta não morre, se encanta, de escrever sobre o cotidiano com elegância”, pontua.
Para o cordelista Antônio Francisco, a responsabilidade de manter a poesia popular viva em Mossoró cabe agora aos discípulos de Luiz Campos. “Ele passou o bastão pra gente, agora temos essa responsabilidade. Luiz Campos foi nossa verdadeira escola, um exemplo. Se hoje estou aqui escrevendo é por causa dele”, sintetiza.

VERSOS INÉDITOS
O poeta Nildo da Pedra Branca revela que mesmo internado, Luiz Campos continuava a criar versos, textos que em breve serão publicados. “Tenho cerca de 16 versos inéditos, que Luiz declamava e me pedia para escrever, já no hospital. ‘Quando eu morrer você publique’, dizia ele. São versos como: ‘Eu sou um ser que surgiu do ventre de uma senhora, quando eu nasci ninguém sorriu e quando eu morrer ninguém chora’ e “Fiz muita gente achar graça com as minhas cantorias, escrevi muita poesia do sertão até a praça, quem tanto tomou cachaça, cerveja e Coca-Cola, hoje nem suco de acerola sequer está engolindo, a pouco a pouco está indo o poeta da viola”, declamava ele no delírio da doença. As escritas dele irão permanecer”, afirma.
“Melhor seria que se lembrassem de mim enquanto estou vivo”
Em entrevista aos jornalistas Tuca Viegas, Ana Cadengue e Túlio Ratto, publicada na revista Papangu, em 2011, Luiz Campos demonstrou toda a sua insatisfação diante do abandono a que estava submetido. Confira abaixo alguns trechos da conversa:

Papangu: Qual foi sua contribuição para a ebulição da literatura de cordel em Mossoró?
Luiz Campos: Eu acho que eu fui tudo. Porque se você ler minha coleção de cordel, o que eu fiz por Mossoró, o que eu contribuí… Lembro logo de “Meu caso é um descaso”. Ali a pessoa sabe o quanto me esforcei por Mossoró.

Papangu: Mossoró se esforçou por você?
LC: Não. Nunca recebi ajuda de nada. Eu tenho amigos em Mossoró que se esforçam por mim. Mas o poder público, não.

Papangu: Que mensagem você remeteria àqueles que pensam ou estão iniciando na envolvente e difícil arte da literatura de cordel?
LC: Escrevam, progridam. Vão em frente. Agora, o conselho que dou é que procurem outra coisa. Se for viver de cultura, morre de fome. Veja o meu caso.

Papangu: Como é que você quer ser lembrado?
LC: Depois que eu morrer não precisa mais se lembrar de mim. Melhor seria que se lembrassem de mim enquanto estou vivo. E estamos conversados.

Maricelio Almeida

quarta-feira, 31 de março de 2010

ASSOCIAÇÃO DOS AMANTES DA POESIA DO APODI

Fundada a 13 de janeiro de 2009, que teve como primeiro presidente o senhor JOSÉ VIEIRA DE SOUZA, conhecido popularmente por “ZECA VIEIRA”, natural de Apodi-RN, nascido a 31 de maio de 1946, filho de ALMIRO BISPO VIEIRA e de MARIA VIEIRA DE SOUZA.A Associação possui 36 membros. Seu Zeca Vieira trabalha no Supermercados Queiroz de Apodi

sábado, 22 de agosto de 2009

SAUDOSA POETA FRANCISCA SEGUNDA

FRANCISCA SEGUNDA DE OLIVEIRA, conhecida popularmente pela alcunha de ‘BEMBEM”, nasceu na povoação de Malhada Vermelha, município de Severiano Melo, em 27 de maio de 1917 e faleceu a 5 de março de 2009, filha de Joaquim Celino de 0liveira, natural de Apodi, nascido a 28 de outubro de 1881 e falecido em 3 de novembro de 1947, filho de Sebastião Celino de 0liveira Pinto Filho, este fundador da povoação de Malhada Vermelha, no ano de 1888 , filho do capitão e deputado provincial Sebastião Celino de 0liveira Pinto (1819 – 1901) e de Josephina Zenóbia de 0liveira; e de Maria Gomes de 0liveira, natural de Apodi, nascida em 9 de junho de 1875 e falecida em 10 de maio de 1964, filha de Joaquim Bezerra de Menezes e de Ana Gomes de 0liveira.

O grande amor de Bembem pela leitura e pela escrita fazem dela a figura mais carismática da comunidade de Malhada Vermelha. Com quase 90 anos de idade, a senhora de cabelos brancos e agilidade indescritível com uma caneta na mão e uma folha em branco, passa a maior parte do dia debruçada sobre os livros ou redigindo poesias, que retratam seu amor por sua terra natal e pelas divindades da religião católica.

A professora mais antiga de Malhada Vermelha e responsável pelo ensinamento das primeiras letras da maioria dos habitantes da comunidade. Foi por vários anos diretora da Escola Estadual de Malhada Vermelha, criada em 1928, a qual foi uma das primeiras alunas desse estabelecimento de ensino, quando tinha a idade de 11 anos, em 1928, a qual já deveria ter sido homenageada em vida, dando o seu nome como patrona dessa escola – ESCOLA ESTADUAL FRANCISCA SEGUNDA DE 0LIVEIRA. Falando nisso... no ano de 1975, o saudoso vereador Antonio da Rocha Filho requereu que aquela escola fosse denominada de FRANCISCA SEGUNDA. Porém, os vereadores na época não foram a favor dessa maravilhosa idéia do edil Antonio Rocha.

Dona Bembem é autora do Hino da Malhada Vermelha, como também da bandeira. Como a mesma costuma se referir ao hino que verificou para homenagear sua terra querida, fundada por seu avô Sebastião Celino de 0liveira Pinto Filho. “Eu nasci e me criei aqui, mas desde de criança teve essa fome de leitura, que com o passar dos anos foi aumentando e passando a fazer versos e composições.

Eis o teor do Hino de Malhada Vermelha

‘MALHADA VERMELHA’, o teu nome

Rebrilhando na pedra rubis

E radiando do fulgor do sete solo

E pérola teu solo bendito

O céu azul nos cobre

No teu emblema rebrilha o cruzeiro

Recebe ó malhada adorada do teu povo

Este marco de estrela

No Brasil é a estrela que brilha

Lá no céu com muito fulgor

No teu solo bendito se esgota

Do Rio Grande do Norte.

Malhada Vermelha, o teu nome

Para sempre em memória ficou

É tão lindo, Malhada Vermelha o teu nome

Foi o gado que malhado deixou

A cor vermelha é teu solo

Adorado de um povo feliz

Coração palpita de amor

Do Brasil de astro de granito.

A escola bem diz seu nome

Refletindo a luz do saber

Implantando na inteligência, a Ciência

Do bem do dever.

Apesar de não possuir formação pedagógica, Dona Bembem passou a maior parte de sua vida ensinando o que aprendeu com a professora Elisa Bezerra de Menezes, filha de Adrião Bezerra de Menezes, no final da década de 20, do século XX foi responsável por sua formação na Escola Isolada de Malhada Vermelha, criada em 1928. Ela estudou seis anos, tempo suficiente para despertar o grande prazer pelos livros. Isso porque a professora Elisa Menezes era muito boa no que fazia, revela a professora e poetisa.

Dona Bembem iniciou sua carreira como professora no ano de 1937, com 20 anos de idade, na Escola de Malhada Vermelha, à época situada no município de Apodi, e lecionou até os 55 anos, quando foi aposentada em virtude de ter perdido quase totalmente a visão, em conseqüência de catarata. Segundo ela, foi o período mais difícil de sua vida, tendo em vista que ficou 10 anos sem leitura e a escrita. Foi muito difícil, porque não podia fazer o que mais gostava, mas depois de muita fé em Deus, resolvi realizar a operação e voltei a ter a visão total, revela.

A partir da recuperação da visão, Dona Bembem voltou aos livros e a composição de seus versos. 0s versos da poetisa são formulados com temas religiosos e líricos. Em todos os festejos religiosos e acontecimentos importantes em Malhada Vermelha, ela sempre é convocada para compor o tema de abertura dos eventos, como aconteceu no dia 25 de novembro de 2002, por ocasião da inauguração da Rádio Comunitária de Malhada Vermelha, a FM Alto 0este (97,8 MHz).

Dona Bembém sempre foi dedicada às letras, tendo jamais casado. Por isso, passou a criar filhos de suas irmãs e manteve dois filhos, que hoje são seus únicos familiares direto ainda vivo. Sua vida sempre foi dedicada aos outros, tanto na leitura e a reza. Ela passa o dia recebendo as pessoas para ensinar alguma coisa, seja lendo ou escrevendo.

Uma das marcas registradas da sábia poetisa Francisca Segunda. está também, na composição de homenagem para pessoas que vêm a falecer em Malhada Vermelha e região.

No entanto, seus versos são sempre recheados de declarações de amor à terra em que sempre viveu durante sua existência. Além, da poesia, ela também é constante a sua devoção e amor ao catolicismo. “A hóstia santa que foi para você o alimento”. Que seja para nós também o sustento”.

Dona Bembém é autora de várias poesias belíssimas. Abaixo transcreveremos um de seus belos sonetos:

PRAIA

Na onda da praia

Cobrindo de espuma

O rastro que pisa

Na areia desmancha

Tem cheiro do mar

Que inebria o sorriso

Do banhista que gosta

Do rumor marulhante

Quem vem lá do mar

Na areia se amansa

E beija leve

O rumor se desliza

Na brancura da areia

Que tem sal na espuma

No clarão do luar

Reflete pureza

Lá no céu, das estrelas

Que a água retrata

Faz o gozo da praia

Tem conchas na areia

Que Deus fez tudo

Fez terra, e fez mar

Nos búzios da praia

0 poeta fazem versos

Que encanta o poema

Na beleza do mar

Que na areia fez praia

Pra seu povo banhar

Pra saúde lhe dar

Na bonança do mar...

Dona Bem Bem faleceu no dia 5 de março de 2009.

FONTE: Depoimento de Dona Bembém a este pesquisador e de uma reportagem no jornal Gazeta do 0este, do dia 8 de dezembro de 2002. Ela faleceu em 2009

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

POEMA FALSO AMOR






DIANTE MILANO

O BECO

No beco escuro e noturno

Vem um gato rente ao muro.

Os passos são de gatuno.

Os olhos são de assassino.

Esgueirando-se, soturno,

Ele me fita no escuro.

Seus passos são de gatuno.

Seus olhos são de assassino.

Afasta-se, taciturno.

Espanta-o meu vulto obscuro.

Meus passos são de gatuno.

Meus olhos são de assassino.


POEMA DO FALSO AMOR

O falso amor imita o verdadeiro

Com tanta perfeição que a diferença

Existente entre o falso e o verdadeiro

É nula. O falso amor é verdadeiro

E o verdadeiro falso. A diferença

Onde está? Qual dos dois é o verdadeiro?

Se o verdadeiro amor pode ser falso

E o falso ser o verdadeiro amor,

Isto faz crer que todo amor é falso

Ou crer que é verdadeiro todo amor.

Ó verdadeiro Amor, pensam que és falso!

Pensam que és verdadeiro, ó falso Amor!



VOZES ABAFADAS

O ruído vem de longe e quase não se escuta.

Passa no ar ou ruge dentro de nossos ouvidos?

Vem do centro da terra ou do terror das
[ consciências?

São crianças chorando com medo da vida?

Soluços de mães que ignoram as causas?

Gritos alucinados de homens caídos sob as

[ rodas do carro terrível?

São os últimos brados das pátrias esfaceladas,

Os uivos do vento nas bandeiras das nações

[ vencidas,

Ou no ventre do caos os vagidos do
[ mundo futuro?

Cala, poesia,

A dor dos homens não se pode exprimir em

[ nenhuma língua.

Talvez a exprimisse o ai da cabeça separada do
[ corpo que rola ensangüentada,

Talvez a escrevesse a mão hirta que no último

[ gesto de horror largou a espada,

Talvez a dissesse o grito sufocado, o pranto que

[ salta, o suor frio, o olhar esbugalhado...

Ante o ricto dos mortos compreendo que a dor

[ não se exprime

Em língua nenhuma e ainda que os homens

[ falassem todos uma só língua.


quinta-feira, 30 de julho de 2009

POETA RENATO CALDAS

SOBRE O POETA DE "FULÔ DO MATO"

FONTE: BLOG DO FERNANDO CALDAS

Renato Caldas (1902-1911) ainda é, penso eu, o nome literário potiguar mais conhecido em todo o Brasil. Foi ele "que deu nome ao Rio Grande do Norte nas letras nacionais", publicando em 1939, o seu livro de estréia intitulado "Fulô do Mato", escrito em linguagem genuinamente matuta.

O poeta que aparentava simplicidade, viveu uma juventude andeja, sem endereço certo. Quando moço, bebia inveteradamente. Seresteiro da velha guarda, bonachão, brejeiro, "miolo de aroeira, vivo como um pé de vento", no dizer de Câmara Cascudo com quem ele conviveu na intimidade.

O Brasil, "dando expanção ao seu temperamento cosmopolita, conheceu de ponta a ponta, nas suas intermináveis andanças de romântico caminheiro". Nas suas viagens pelo Nordeste, ele se apresentava em palcos de cinemas, teatros e outros locais improvisados, declamando suas poesias irreverentes, amorosas, cantando emboladas e modinhas que também sabia produzir a seu modo.

Renato viveu parte da sua mocidade no Rio de Janeiro, onde trabalhou e conviveu com o que tinha de melhor da Música Popular Brasileira, como Sílvio Caldas (ambos consideravam-se parentes), Francisco Alves (O Rei da Voz), Noel Rosa, Almirante, entre outros. O músico Silvio - o responsável pela introdução da seresta na MPB -, no começo dos anos setenta, de passagem para Fortaleza, entrou na cidade de Assu (RN), para rever o velho amigo que não via há bastante tempo, acordando o poeta "cantando ao pé da janela numa típica serenata interiorana", como depõe João Batista Machado. O escritor Machado diz mais ainda que somente duas pessoas tiveram aquele privilégio: "Renato e JK".

Outro fato importante que engrandece mais ainda a sua biografia, aconteceu no início da década de 90. Virou poeta para inglês ver, pois, vários poemas de sua autoria estão traduzidos para aquela língua e publicados numa revista cultural americana intitulada "International Poetry Review (1991), volume XVII, número I, editada em Greensboro, Carolina do Norte, como por exemplo, o poema sob o título "Fulô do Mato", que diz assim:

Sá Dona, vossa mecê,
É a fulô mais cheirosa,
A fulô mais prefumosa
Qui o meu sertão já botô!
Podem fazê um cardume,
De tudo qui fô prefume,
De tudo qui fô fulô,
Quí nem um, nem uma só,
Tem o cheiro do suó
Qui o seu corpinho suô.
- Tem cheiro de madrugada,
Fartum de areia muiáda,
Qui o uruváio inxombriô.
É um cheiro bom, déferente,
Qui a gente sintindo, sente,
Das outa coisa o fedô.

O poeta conheceu com os seus olhos "o paladar e pé o seu sertão. O seus ouvidos já escutaram os gritos abafados pela fome de uma população flagelada e os arpejos sonoros de uma viola pontilhada; os seus olhos já viram os rios transbordando e já viram também, nos bebedouros esturricados, o gado morrendo de sede! Viu e sentiu o sertão: povo, solo, clima e paladar do seu trabalho", no seu próprio dizer. E um dia escreveu:

Venha ver seu moço, ói,
O que é fome no sertão.
Mecê, é lá da cidade,
Num tem a infelicidade,
De conhecê isso não.
Mas é bom sempre que vêja,
Pru móde me acreditá.
E, pru raiva, ou compaixão,
Dizê aos nossos irmão,
Qui viu o nosso pená.
... Mas sertão num é Brasí.
O Brasí, é lá pru sú.
Isso aqui é um purgatóro...
Quem mata a fome é o sodóro
E a sede é o mandacarú.

Os versos deste poeta eclético, versátil, retrata além da seca devastadora, a enxurrada que também castiga algumas regiões do sertão nordestino, bem como os amores fracassados. Tem irreverência, humor, malícia, como o célebre poema intitulado "Reboliço" (que na década de cinquenta o poeta potiguar Celso da Silveira declamou num certo programa cultura da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, além de ter sido recitado também pelo Poeta Vaqueiro Zé Praxedes nas apresentações que fazia pelo Brasil afora, e declamado pelo deputado federal Ney Lopes no plenário da Câmara dos Deputados, a propósito do falecimento do poeta em 1991), que ele escreveu de tal modo:

Menina me arresponda,
Sem se ri e sem chorá:
Pruque você se remexe
Quando vê home passá?
Fica toda balançando,
Remexendo, remexendo...
Pensa tarvez, qui nós véio,
Nem tem ôio e nem tá vendo?
Mas, se eu fosse turidade,
Se eu tivesse argum valô,
Eu botava na cadeia
Esse teu remexedô...
E adespois dele tá preso,
Num lugá, bem amarrado,
Eu pedia - Minha Nêga,
Remexe pro delegado.

As suas décimas (glosas) e trovas são terríveis, bem como as suas tiradas e boutades são - que ele tinha sempre na ponta da língua - são picantes e se tornaram famosas por todo este país, como esta que veremos adiante: Certo dia, ele submeteu-se a uma cirurgia na próstata, no navio hospital do Projeto Hop (da Marinha norte-americana que se encontrava no final dos anos sessenta, encalhado no Porto de Natal). Obtendo sucesso naquela operação, o médico logo lhe deu alta com a seguinte recomendação: "Seu Renato, o senhor está de alta, mas cuidado para não comer gordura. Ele olhou para sua mulher que pesava aproximadamente seus bons cem quilos, dizendo: "Está ouvindo, Fausta, e agora?"

Certa feita, ao passar pela feira livre de uma certa cidade do interior nordestino, fora abordado por uma feirante vendedora de legumes. "Seu Renato faça um versinho para eu divulgar minha batata"! E ele de imediato escreveu num pedacinho de papel de cigarro, dizendo assim:

Batata, batata doce
Batata que o povo gosta,
Um quilo dessa batata
Dá vinte quilos de bosta.

Renato namorava um jovem chamada Maria da Conceição que, certo dia, regressou a São Paulo para passear e rever familiares, comprometendo-se com o poeta que retornaria em breve para os seus braços. Na hora da despedida, Renato entregou a sua namorada o seguinte bilhete em forma de versos:

Maria da Conceição
Faça uma boa viagem
E leve meu coração
Dentro da sua bagagem.

Passaram-se dias, meses, anos e nada de notícias de Conceição. Ao tomar conhecimento do seu paradeiro através de um amigo que ela, Conceição, teria se casado naquela capital paulistana, vingou-se logo que soube do seu endereço, remetendo para Conceição, o seguinte bilhete rimado:

Maria da Conceição
Você fez boa viagem?
Devolva meu coração
Que foi na sua bagagem.

E o mulherengo poeta no melhor de sua criatividade, escreveu no seu "Oiá Pidão", o poema adiante:

Os óio de Sinha Dona?
Ninguém pode arresistir.
Parece dois esmolé.
Qui só véve pra pedi.
Óios pidão desse geito,
Juro pro Deus, nunca vi.
Às vez, eu penso, Sá Dona,
Quando óio pra vancê:
Qui mecê tá é cum fome
E vergonha de dizê...
Eu tenho aquela vontade
De me virá em cumê.
Mas, tenho mêdo, Sá Dona,
Qui seja tapiação;
Pode mecê num tê fome
E fâzê judiação:
Pegá, amassá, mordê
E adespois largá de mão.

terça-feira, 21 de julho de 2009

POESIA DA MULHER

FONTE: JORNAL O MOSSOROENSE (17/10/1872),

Sully Prudhomme, poeta francês nascido no século XIX, dizia que o coração feminino é todo delicadeza. E devemos crer que suas palavras são de fato acertadas. É do espírito meigo e do coração terno da mulher que emana toda a calma e o equilíbrio que falta a nós, poços de machismo ambulantes, homens das cavernas internetizados.

Em todas as épocas, em todos os caminhos e esquinas do tempo e da história, a mulher tem exposto o seu diferencial humano, tem feito valer a sua maneira grácil e equilibrada de encarar a vida. Enquanto somos biologicamente mais propensos aos arrebatamentos e às intempéries comportamentais, as mulheres são equilíbrio e prudência, o arreio emocional que Deus pensou para o homem.

Desse modo, como em todos os meios onde a mulher expõe seu perfil artístico (embora muitos já tenham feito uso de seus laboratórios de crítica e batido o martelo de suas convicções sobre a tese de não haver uma significativa diferença entre a arte produzida pelo homem e aquela feita pela mulher), vemos também na poesia dos corações femininos esse enternecimento e sensibilidade criadora, a maneira diferenciada de interpretar e de expor sentimentos, amores e desamores, venturas e desventuras, defeitos e virtudes.

Também no "país de Mossoró" — expressão romântica do professor Vingt-un Rosado — temos as nossas augustas representantes do ofício poético. Mulheres naturais deste município ou que aqui participaram (e ainda participam) expressivamente da vida cultural da cidade, têm oferecido aos seus leitores e à história literária desta província as suas sensibilidades horizontalmente dispostas em verso e prosa.

Nomes antológicos como os de Cordélia Sílvia, Maria Escossilda, Nair Burlamarque, Maria Sylvia de Vasconcelos, Helen Ingersoll e Edna Duarte assistiram a uma Mossoró que vivia e respirava poesia, passando às gerações seguintes o espelho de seus sonhos e o alumbramento de suas almas canoras. Gerações que se aproximam sensorialmente pelo exercício benfazejo da arte poética, pelo encantamento libertador da palavra.

Maria Escossilda, mossoroense nascida aos 20 de dezembro de 1910 e morta aos 31 de dezembro de 1935, é um dos maiores talentos daquela época. Sua produção, sobretudo a poesia em prosa, está na linha das grandes cantoras da literatura nacional.

Vemos parte desse quilate em seu amaríssimo "A Dirceu", onde ela própria nos diz:

"Foi porque tive paixão, e tudo quanto amei, amei demais. [...] Você jamais viu se esconder no canto dos seus lábios um sorriso. Sabe por que? Porque eu morava na casinha de uns olhos, cantando à luz da alvorada". Ou como neste "Somente pra você", onde ela nos fala: "Mas... eu não sei cantar, /E há muito me esqueci /Duma melodia tristonha que aprendi /Na minha verde idade... /Quando eu cantei então /Com tanta fé e ardor /A aurora feliz do teu olhar, /Meu lindo Amor".

Nos dias de agora, outros nomes da lira feminina se apresentam às vistas do leitor de poesia. Lançada no mês de setembro do ano passado pela POEMA – Poetas e Prosadores de Mossoró, em parceria com a Fundação Vingt-un Rosado/Coleção Mossoroense, a antologia dos "100 Poetas de Mossoró" é, mesmo sob a contestação de uns e os maus olhos de outros, um registro importantíssimo do que se produziu em verso nesta cidade desde o século XIX até os dias de hoje. Nas 613 páginas do referido livro, juntamente com as poetisas de outrora, estão muitos e novos nomes da poesia atual, como Meire Kaliane de Freitas e Michelle Rosado Cure, ambas adolescentes no tempo e no ofício do versejar.

Nas páginas da referida obra estão, entre outros antologiados, Margareth Freire de Souza, que ocupa a função de torneiro-mecânico, autora do livro de poesia "Pedaços de Mim"; Vanja Reis, bancária, já com três livros de versos publicados; Cecília Maria Liberalino, professora, cantora e colaboradora da página de poesia do jornal O Mossoroense, e Rosa Augusta, pseudônimo de Terezinha Câmara da Silva, artesã e dona de casa, autora do livro de versos "Conheça-me Poeta", que será editado brevemente.

Em outros pontos do círculo literário mossoroense (apesar de toda a "dominação" e deseducação cultural do nosso povo), poetisas como Goreth Serra, Langeane Samária, Aline Linhares, Maria Luísa, Taniamá Vieira da Silva, Margareth Ameida, Symara Tâmara, Magda Amaral, entre tantas que citamos e outras que a memória não encontra, seguem com seus madrigais amenos e com suas harpas doces atraindo sensibilidades e aproximando corações.

STPM JOTA MARIA

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